preto no branco

São como água e azeite.

Azeiteiro digo eu, sem qualquer intenção de apoucar, de acordo com o que o dicionário me ilustra, os mercadores de azeite, os ostentadores de nódoas e os esfoladores de meretrizes, se não acredita em mim vá conferir ao canhenho que repousa aí por casa há um ror de luas, a madraçar e a ganhar pó. Só um deles, porém, só um deles, o azeite ou a água, é que procede com tino e denodo. Aquele que, presidindo aos destinos do seu país com o mais notável dos desempenhos, a mais fervorosa das determinações, assume a pose do estadista emérito, a catadura do líder nato, a aura da imortal figura, o aprumo dos heróis de mar e guerra, o semblante do ser iluminado. Porque, sabe-o ele e sabem os concidadãos que nele votaram e nele voltarão a votar de bom grado e mente leve, não se tem poupado a esforços, titânicos por assim dizer, proverbiais já se vê, providenciais por obra e graça do espírito santo, para salvar o país do naufrágio instante, da hecatombe iminente, da derrota certa. Para, com a clarividência dos predestinados, levar a jangada a bom porto, passar o cabo das tormentas, aportar ao cabo da boa esperança depois de mil intempéries por um mar encapelado, infestado de contrariedades e tubarões, os salafrários que não lhe beijam a mão nem lhe vêm dotes de excelência nem excelência de dotes. Com as suas habilidades de marinheiro de águas turvas, a sua vasta, basta experiência nas funções de comandante-em-chefe, a sua perícia de timoneiro, as suas nenhumas dúvidas e enganos raros, saberá, firme, hirto e de dedo em riste, indicar ao seu povo o caminho a palmilhar, em rebanho dócil, até a uma vida de estadão num Estado também ele hirto, também ele firme, também ele aprumadinho e reverente. Impotente.

Será água? Será azeite? Vinagre será certamente.


 








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