direito de pernada


Ainda se lembra do absolutismo? O tempo em que milhões morriam à fome enquanto uma elite de senhores acumulava fortuna e detinha direitos sobre o povo escravizado, incluindo o de pernada? Depois veio o iluminismo, a Revolução Francesa, mas alguns séculos de luta mais tarde o mundo regride, volta atrás, temos uma elite que vive na opulência e uma massa anónima de pobres e novos-pobres. Para uns, o jardim. Para os outros, a estrumeira. Enquanto isto ia acontecendo por África, pela Ásia, pela América Latina, fechámos os olhos, era lá longe. Mas agora tudo se passa aqui. Na sua casa, se ainda a possuir. No seu emprego, se ainda o tiver. Num ano, o ano do governo de todos os desmandos e de todos os pesadelos, o valor do trabalho baixou drasticamente. Assustadoramente. O Serviço Nacional de Saúde e a educação pública correm o risco de extinção. O desemprego atinge níveis nunca vistos. O consumo está quase paralisado. O medo tolhe muitos de nós, deixa-nos absortos, aparvalhados. Sem consciência de que vamos a caminho do fim, mandam-nos entrar no comboio que nos conduzirá à solução final. Hitler, afinal, não perdeu a guerra. Os seus filhos políticos, confessem ou não a paternidade, prosseguem-lhe a obra que deixou inacabada. E, desta vez, temo que levará mais tempo, décadas, para a Europa renascer das cinzas. Já não estarei vivo. Ao contrário do que sonhei, não deixo aos meus filhos um mundo melhor.

Comentários

Anónimo disse…
O senhor é um bem intencionado e um ingénuo que estará por certo destinado a entrar no reino dos Céus
Unknown disse…
Antes assim :-)

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